Brasil se despede de Gilberto Dimenstein

Brasil se despede de Gilberto Dimenstein

Nesta sexta-feira, dia 29 de maio, o Brasil se despediu do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein. Filho de um pernambucano e uma paraense, Dimenstein nasceu em São Paulo em 1956 e faleceu, aos 63 anos, também na capital paulista, após lutar contra um câncer de pâncreas, com metástase no fígado.

 

Profissional premiado, Gilberto atuou por 28 anos no jornal Folha de São Paulo, passou pela rádio CBN, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Última Hora, Veja e Revista Visão, até criar o site Catraca Livre e se dedicar especialmente ao jornalismo de causas sociais. Como escritor, foi autor de mais de 10 livros e ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro de não ficção pelo então recém-lançado “O Cidadão de Papel”, em 1994.

 

Como admirador e inspirador do programa Escola da Escolha, conheceu a primeira escola do modelo, o Ginásio Pernambucano, no Recife, ainda nos seus primeiros anos de experiência. Lá, ele esteve para conhecer a iniciativa que associa o terceiro setor e o setor público em prol da educação pública de qualidade, além de marcar presença como uma pessoa inspiradora para os projetos de vida dos estudantes.

 

Thereza Barreto, hoje Diretora Pedagógica do ICE, que à época era gestora do Centro de Ensino Experimental Ginásio Pernambucano, relembra que a presença dele foi uma das mais marcantes visitas na escola. Marcada pela empatia da sua fala e como os estudantes reagiram às palavras dele. “Eu lembro muito claramente, ele começou a fala olhando muitos jovens se sentindo desacreditados, achando que não conseguiriam seguir nas suas vidas diante de todas as dificuldades e disse que, assim como muitos deles, ele também não acreditava que fosse dar pra muita coisa na vida, ‘eu já nasci com muitas desvantagens, tinha a receita completa pra que eu não vingasse e hoje eu tô aqui e sou uma pessoa bem sucedida naquilo que eu escolhi fazer’, foi o que ele disse”, lembra Thereza.

 

Após o contato com a iniciativa do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação, em maio de 2006, Dimenstein fez questão de registrar em sua coluna Capital Humano, na Rádio CBN, o que chamou de “uma experiência capaz de contaminar o Brasil inteiro”, ao se referir ao modelo hoje batizado de Escola da Escolha. Assim ele descreveu a experiência educacional realizada em Pernambuco, com o Procentro: “um grupo de empresários, entidades não governamentais e fundações que se ligou ao governo do estado e adotou um grupo de escolas do ensino médio. Fizeram coisas como melhorar construção, fazer laboratórios e bibliotecas. Como é importante a comunidade assumir a escola”.

 

Para além do jornalismo, Dimenstein também se dedicou a projetos educacionais na sua carreira. Criador do programa bairro-escola, uma iniciativa de formação profissional, que foi desenvolvida por meio do Projeto Aprendiz e replicada em outros lugares do mundo com ajuda da Unicef e Unesco. Considerado inclusive como “um exemplo de inovação comunitária” pela Escola de Negócios de Harvard.